quinta-feira, 15 de julho de 2010

13/07/2010 – Apresentação de gente grande







Dionízio do Apodi

Nada como um dia atrás do outro, para que a experiência possa melhorar a nossa vida, e principalmente a forma como encaramos as coisas. Dias atrás tivemos grandes públicos por onde passamos, e hoje, em Recife, pela segunda noite, tivemos público pequeno (vinte pessoas) para assistir ao espetáculo A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró.
Tudo muda, e precisamos estar preparados e conscientes para estas mudanças, que acontecem não só com o público de teatro, como em todas as coisas da vida. Hoje tenho 32 anos, pouco mais de uma década vivendo de teatro, uma infância bem vivida em Apodi, cheio de sonhos, descobertas, e muita labuta em oito anos de grupo O Pessoal do Tarará. Esta experiência me tem ajudado a entender como a vida funciona, e por isso hoje não me desespero quando tenho público pequeno.
Não dá para dizer que sou indiferente quanto a quantidade de público. Claro que não! Não seria tão tolo. Claro que quero apresentar para muita gente, afinal de contas são muitos gastos com hotel, transporte, alimentação, atores, etc, etc. Saber deste esforço todo e ser indiferente a um número pequeno de pessoas é desrespeitar meu próprio suor.
Mas acontece que nem sempre as coisas são como queremos. Merecíamos um número maior de pessoas hoje, no Teatro Barreto Júnior. Eu que sempre falo no plural, acima de tudo valorizando o espírito de equipe, hoje quero falar sobre o meu lado particular. Foi maravilhoso para mim, fazer esta apresentação. Desde o início da apresentação que notei a pequena plateia difícil, não reagindo em nenhuma hipótese aos momentos que eu sabia que o público iria rir. Nem a cena do ´pé do fogão´ de Madson, arrancou risos da plateia.
No entanto, desde o início do espetáculo, quando percebi que a plateia estava difícil, talvez pelo público pequeno que estava espalhado pelas longas filas de cadeiras vazias do teatro, tive convicção que iria fazer uma apresentação de ´gente grande´, e assim o fiz.
Fiquei muito feliz com o resultado. Com a riqueza de detalhes que consegui imprimir em minha apresentação, que acredito que os mais atentos tenham percebido. Estou numa crescente. Depois das apresentações de Camaçari e Estância, onde não pude dar o que sei que posso dar, devido ao meu estado doentio, me recuperei em Aracaju, e hoje cresci ainda mais.
Adoro fazer o Severino, ou Cyrano. Não sei até quando irei fazê-lo, principalmente devido ao momento em que o grupo atravessará em breve, quando iremos reorganizar tudo, e até mudar focos e posicionamentos. O teatro está pedindo isso do grupo, mais uma vez, e não temos como fugir desta responsabilidade. Para fazer teatro e sempre seguir em busca da ´terra prometida´ precisamos nos ajustarmos sempre, refletirmos sobre o que estamos fazendo. Se não, ficamos para trás. A profissionalização no grupo está cada vez mais séria, mais para ontem que para amanhã. E assim vamos seguindo, sem, em hipótese alguma, perder a alegria da representação cênica, do real sentido do teatro. Como a experiência que vivi hoje.
Quero só registrar, na plateia, a presença dos amigos do Grudage, da cidade do Cabo, que vieram nos prestigiar. Conhecemos a galera num festival de teatro em Arcoverde, no ano passado. Além disso, Williams Santana, nosso anjo em Recife, sempre.

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